domingo, 22 de dezembro de 2019
Revisitando meu diário
09.04
Hoje é terça, o dia que eu vou viajar. Acabei de acordar, são 9.50. Fui dormir quase 3 acho. Mas to bem. Eu tinha acordado as 8.10, e não conseguia mais dormir, aí falei nem a pau. Aí consegui eventualmente voltar a dormir.
Mas eu vim aqui pra falar do meu sonho.
Foi a primeira vez, pelo que eu saiba, que eu sonhei com o Yossi. Estávamos passeando tipo numa taielet perto do mar, tava escuro, não tinha muita gente perto. De repente, ele me puxa e me abraça, e no começo eu saio do abraço dele (o possível motivo foi relatado no diário mas censurado do blog, perdão) mas depois eu meio que deixo, and I release and surrender, e me deixo envolver no abraço dele, e depois eu fico segurando o braço dele tipo o ombro e tal. Foi bom. É a primeira vez que sonho com ele, e logo a primeira vez, foi algo físico. Interessante. Em realidade, ainda não nos tocamos.
hmm, mas ontem na praia, quando um foi passar o sorvete pro outro, nossas mãos se tocaram pela primeira vez e a mão dele tava quente. não eh q as mãos se tocaram mamash, só se resvalaram. mas a sensação foi gostosa. talvez isso influenciou meu sonho.
enfim, depois ele viu um carro azul com um B escrito, e acho q a gente precisava ir pra algum lugar e queria um carro, então ele virou a placa em cima do carro que dizia táxi, p que ninguém percebesse, e entrou no carro, eu tava aflita que iam nos descobrir. então, eu vejo um guardinha chegando, morro de medo, aviso o yossi, falo p ele inventar uma desculpa, acho que falei pra ele falar q tinha que ir p hospital com urgência ou algo do tipo, e aí o guardinha veio e o yossi falou o que eu tinha dito p ele falar ou algo parecido.
não lembro de muito mais.
mas acho que uma sementinha esta sendo plantada.
quinta-feira, 14 de novembro de 2019
Uma tarde gostosa
Lembra daquele dia em que passamos a tarde juntos no Bar Ilan?
Estou no meio da aula de Criminologia e por alguma razão, essa memória me veio à cabeça.
Cheguei por volta de 16:00, tivemos um pequeno probleminha técnico na hora de entrar aquele lugar, digamos que implicaram com minha cara de terrorista.
Você foi andando por aquele lugar bonito, verde e grande, me mostrando seu habitat, por uns anos da sua vida você até chegou a morar lá de fato (foram dois anos?!)
Fui andando por aquele lugar bonito, verde e grande, conhecendo seu habitat, relativamente maravilhada, traçando passos que você já muitas vezes traçou, feliz de conhecer mais uma parte de você (mesmo que você não exatamente frequentava as aulas daquele lugar, pelo que eu entendi haha)...
Foi um dia muito simbólico pra mim.
E aí você me apresentou pra aquele seu amigo que fica sentado naquela mesa, no prédio que se eu não me engano pegamos o elevador apertadamente íntimo pra biblioteca. Qual era o nome desse amigo falante? Puxa esqueci! Mas vou lembrar antes de postar esse texto. Shmulik? Não... Esse é o nome do prisioneiro que o Josh (professor de Criminologia) tava contando sobre, um prisioneiro que havia sido released e pouco tempo depois deu as caras de novo.
? שמוליק, חזרת - disse meu professor quando viu o tal sujeito chegando...
Enfim.
Agora já não estou mais na aula de Criminologia, estou em casa.
Qual era o nome dele? Queria muito lembrar... ok.
Enfim, subimos no elevador pra biblioteca de יהדות, colunas gigantescas de livros empoeiradamente acumulando sabedoria. Você se sentou, eu me sentei ao seu lado. De vez em quando eu dava umas espiadinhas pra ver como é que meu amor estuda, tenho que admitir que tenho um certo tesão em ver você estudando e se concentrando e lendo e amassando seus cabelos sem perceber e mordendo seus lábios aqui e ali.
Ter que me controlar em espaços públicos também me dá tesão. A minha vontade era te puxar pra perto e sentir seu corpo quente no meu.
Mas como a intenção desse texto nunca foi ser um texto sobre vontades corpóreas, mas sim apenas relatar de maneira pura e inocente uma memória que me pousou à cabeça, seguirei no meu empreendimento.
Em certo momento ficamos com fome, saímos daquela mansão acadêmica e fomos comer sushi. Era sushi?
Estou me confundindo.
Ah, porque fui no Bar Ilan duas vezes. Uma delas, acho que na última, eu peguei apenas café e talvez alguns cookies, e nos sentamos dentro daquele espaço do Aroma onde conversamos sobre questões tangentes a casamento, um pouco da halacha desse tema, e algumas coisas de maneira abstrata e deslocada de nossa realidade.. Ah e também lembro que comentei de como eu não exatamente concordo com a fala da Valeria, de que num relacionamento, é importante que o homem ache a mulher atraente, e pra mulher, é importante que ela sinta que admira o homem.
Mas na primeira vez que fui no Bar Ilan, e é dessa vez sobre a qual minha memória se trata, nós pegamos sushi e voltamos pra faculdade, sentamos num banquinho de frente pras árvores de azeitonas retorcidas,
azeitonas retorcidas? Não, as árvores eram retorcidas. OK
Logo mudamos de banquinho porque havia muitos bichinhos voadores nos incomodando e se infiltrando no nosso sushi.
Voltamos a estudar, já não lembro se foi dessa vez ou da outra que fomos estudar na biblioteca de economia, uma mais arrumadinha.
E depois fomos pra sua casa.
Andando.
Gostoso andar, área gostosa.
E no caminho, ao sair do bar ilan, passamos por uma árvore cheia de passarinhos cantando histericamente.
E andamos até sua casa.
Yonathan Netaniel?
Não.. como era o nome mesmo? Quero lembrar sozinha. E também lembrar o nome do moço falante da faculdade.
To me segurando MUITO pra não olhar o nome nas nossas conversas de whatsapp..
OK
Chegamos na sua casa.
Subimos.
Você morava no 11, 12, algo assim? Lembro que vi esses números nas portas quando abriu o elevador. Acho que eram seus vizinhos de porta mesmo.
Sofá vermelho.
Nechama Leibowitz.
Pão de queijo, if I am not mistaken.
E o resto é história.
Foi uma noite interessante.
Pode ser que estou me confundindo entre os elementos dos dois dias no qual fui no bar ilan te visitar.
Porque um desses dias, voltamos e a Sarinha e sua mãe estavam lá, e claramente não foi nesse dia que nos divertimos no sofá vermelho e depois na cama gostosamente grande.
Espero que você se encontre na confusão da minha memória.
Agora.
Momento presente.
Sinto saudades. Já é até clichê dizer isso, coisa sem graça.
Sinto que não te vejo a mais tempo do que o tempo que te conheço, se é que isso é logicamente possível. Dentro da mente humana, tudo é possível.
Já me acostumei a te acessar somente pelo pensamento, por mensagens, por telefone, pelo blog. Acostumei que nada! Não aguento mais. Isso não é real.
Mas hoje não to brava ou frustrada que nem aquele outro dia em que escrevi no blog sobre isso. Estou apenas constatando os fatos, até com uma certa pitada de humor, porque de tão escroto seja a ser cômico.
Termino por aqui
Estou no meio da aula de Criminologia e por alguma razão, essa memória me veio à cabeça.
Cheguei por volta de 16:00, tivemos um pequeno probleminha técnico na hora de entrar aquele lugar, digamos que implicaram com minha cara de terrorista.
Você foi andando por aquele lugar bonito, verde e grande, me mostrando seu habitat, por uns anos da sua vida você até chegou a morar lá de fato (foram dois anos?!)
Fui andando por aquele lugar bonito, verde e grande, conhecendo seu habitat, relativamente maravilhada, traçando passos que você já muitas vezes traçou, feliz de conhecer mais uma parte de você (mesmo que você não exatamente frequentava as aulas daquele lugar, pelo que eu entendi haha)...
Foi um dia muito simbólico pra mim.
E aí você me apresentou pra aquele seu amigo que fica sentado naquela mesa, no prédio que se eu não me engano pegamos o elevador apertadamente íntimo pra biblioteca. Qual era o nome desse amigo falante? Puxa esqueci! Mas vou lembrar antes de postar esse texto. Shmulik? Não... Esse é o nome do prisioneiro que o Josh (professor de Criminologia) tava contando sobre, um prisioneiro que havia sido released e pouco tempo depois deu as caras de novo.
? שמוליק, חזרת - disse meu professor quando viu o tal sujeito chegando...
Enfim.
Agora já não estou mais na aula de Criminologia, estou em casa.
Qual era o nome dele? Queria muito lembrar... ok.
Enfim, subimos no elevador pra biblioteca de יהדות, colunas gigantescas de livros empoeiradamente acumulando sabedoria. Você se sentou, eu me sentei ao seu lado. De vez em quando eu dava umas espiadinhas pra ver como é que meu amor estuda, tenho que admitir que tenho um certo tesão em ver você estudando e se concentrando e lendo e amassando seus cabelos sem perceber e mordendo seus lábios aqui e ali.
Ter que me controlar em espaços públicos também me dá tesão. A minha vontade era te puxar pra perto e sentir seu corpo quente no meu.
Mas como a intenção desse texto nunca foi ser um texto sobre vontades corpóreas, mas sim apenas relatar de maneira pura e inocente uma memória que me pousou à cabeça, seguirei no meu empreendimento.
Em certo momento ficamos com fome, saímos daquela mansão acadêmica e fomos comer sushi. Era sushi?
Estou me confundindo.
Ah, porque fui no Bar Ilan duas vezes. Uma delas, acho que na última, eu peguei apenas café e talvez alguns cookies, e nos sentamos dentro daquele espaço do Aroma onde conversamos sobre questões tangentes a casamento, um pouco da halacha desse tema, e algumas coisas de maneira abstrata e deslocada de nossa realidade.. Ah e também lembro que comentei de como eu não exatamente concordo com a fala da Valeria, de que num relacionamento, é importante que o homem ache a mulher atraente, e pra mulher, é importante que ela sinta que admira o homem.
Mas na primeira vez que fui no Bar Ilan, e é dessa vez sobre a qual minha memória se trata, nós pegamos sushi e voltamos pra faculdade, sentamos num banquinho de frente pras árvores de azeitonas retorcidas,
azeitonas retorcidas? Não, as árvores eram retorcidas. OK
Logo mudamos de banquinho porque havia muitos bichinhos voadores nos incomodando e se infiltrando no nosso sushi.
Voltamos a estudar, já não lembro se foi dessa vez ou da outra que fomos estudar na biblioteca de economia, uma mais arrumadinha.
E depois fomos pra sua casa.
Andando.
Gostoso andar, área gostosa.
E no caminho, ao sair do bar ilan, passamos por uma árvore cheia de passarinhos cantando histericamente.
E andamos até sua casa.
Yonathan Netaniel?
Não.. como era o nome mesmo? Quero lembrar sozinha. E também lembrar o nome do moço falante da faculdade.
To me segurando MUITO pra não olhar o nome nas nossas conversas de whatsapp..
OK
Chegamos na sua casa.
Subimos.
Você morava no 11, 12, algo assim? Lembro que vi esses números nas portas quando abriu o elevador. Acho que eram seus vizinhos de porta mesmo.
Sofá vermelho.
Nechama Leibowitz.
Pão de queijo, if I am not mistaken.
E o resto é história.
Foi uma noite interessante.
Pode ser que estou me confundindo entre os elementos dos dois dias no qual fui no bar ilan te visitar.
Porque um desses dias, voltamos e a Sarinha e sua mãe estavam lá, e claramente não foi nesse dia que nos divertimos no sofá vermelho e depois na cama gostosamente grande.
Espero que você se encontre na confusão da minha memória.
Agora.
Momento presente.
Sinto saudades. Já é até clichê dizer isso, coisa sem graça.
Sinto que não te vejo a mais tempo do que o tempo que te conheço, se é que isso é logicamente possível. Dentro da mente humana, tudo é possível.
Já me acostumei a te acessar somente pelo pensamento, por mensagens, por telefone, pelo blog. Acostumei que nada! Não aguento mais. Isso não é real.
Mas hoje não to brava ou frustrada que nem aquele outro dia em que escrevi no blog sobre isso. Estou apenas constatando os fatos, até com uma certa pitada de humor, porque de tão escroto seja a ser cômico.
Termino por aqui
terça-feira, 12 de novembro de 2019
Nem sei
Se me dissessem que já faz um mês que não te vejo, eu acreditaria. E que fazem três meses, eu também acreditaria.
Não é possível que você se foi, faz, ...
Hoje é terça, você se foi na
Enfim não me importa saber
O que acontece é que a minha percepção de tempo tá toda zuada, me sinto distante de você em todos os sentidos possíveis, tá difícil pra mim, tá estranho.
Ficamos 45 dias sem se ver, depois te vi umas 3 ou 4 vezes, e depois você foi embora. É como se essas 3 ou 4 vezes do meio não tivessem existido, faz anos que não te vejo.
Já não lembro o que é estar dentro do seu abraço, já não lembro qual a sensação de tocar nas suas mãos, já não sei o que é conversar com você ao meu lado me olhando (no olho!)... Já não sei o que é abrir a porta e te ver, poder chorar e você estar do lado pra me acolher, estar no mesmo fuso que você, o que é poder chegar em casa cansada e te abraçar e me sentir calma e feliz dentro do seu abraço.
Já não sei...
Me dói! E me frustra.
Nem sei porque puis um ponto de exclamação na linha acima, se não é esse meu tom no momento.
O meu tom é cinza e estranho, nem sei se o nome do que sinto é saudades.
A distância dilacera.
Dilacera mesmo, dilacera fundo.
Já não tenho forças para doer.
As lágrimas brotam nos meus olhos enquanto escrevo, minha garganta se retorce em nós que raspam e incomodam, meu peito tenta desesperadamente se expandir e respirar, mas não consegue e se sufoca.
Mas nada disso importa, nada disso adianta, nada disso muda nada.
As lágrimas, as palavras que agora escrevo, as mensagens de voz no celular, nada importa, nada é real, tudo é tentativa ridícula de acessar você, de me expressar pra você, de me sentir próxima de você.
Só queria poder agora olhar nos seus olhos e ver seu sorriso, escutar sua risada, ver você elaborando sobre algum tema, dissertando sobre algo bonito do mundo.
Esse texto é em vão, esse blog é quase em vão, tentativas ilusórias de trafegar num mar que nunca chega até você, nunca chega até o porto, as águas me consomem, me afogam, já não respiro, me sufoco.
Não importa a hora do dia, o que tenho ou não tenho que fazer, o mundo se tornou estranho, quase alheio, ele não sabe o que eu sinto, a confusão emocional que se passa dentro de mim, quero falar com você mas ao mesmo tempo não quero, não consigo, me sufoco, me afogo numa mistura de saudade, amor, cansaço de tanto esperar, desesperança, dormência, falta de fôlego.
Me faltam palavras.
Tudo bem, nem preciso delas.
Elas não me servem de nada
Não é possível que você se foi, faz, ...
Hoje é terça, você se foi na
Enfim não me importa saber
O que acontece é que a minha percepção de tempo tá toda zuada, me sinto distante de você em todos os sentidos possíveis, tá difícil pra mim, tá estranho.
Ficamos 45 dias sem se ver, depois te vi umas 3 ou 4 vezes, e depois você foi embora. É como se essas 3 ou 4 vezes do meio não tivessem existido, faz anos que não te vejo.
Já não lembro o que é estar dentro do seu abraço, já não lembro qual a sensação de tocar nas suas mãos, já não sei o que é conversar com você ao meu lado me olhando (no olho!)... Já não sei o que é abrir a porta e te ver, poder chorar e você estar do lado pra me acolher, estar no mesmo fuso que você, o que é poder chegar em casa cansada e te abraçar e me sentir calma e feliz dentro do seu abraço.
Já não sei...
Me dói! E me frustra.
Nem sei porque puis um ponto de exclamação na linha acima, se não é esse meu tom no momento.
O meu tom é cinza e estranho, nem sei se o nome do que sinto é saudades.
A distância dilacera.
Dilacera mesmo, dilacera fundo.
Já não tenho forças para doer.
As lágrimas brotam nos meus olhos enquanto escrevo, minha garganta se retorce em nós que raspam e incomodam, meu peito tenta desesperadamente se expandir e respirar, mas não consegue e se sufoca.
Mas nada disso importa, nada disso adianta, nada disso muda nada.
As lágrimas, as palavras que agora escrevo, as mensagens de voz no celular, nada importa, nada é real, tudo é tentativa ridícula de acessar você, de me expressar pra você, de me sentir próxima de você.
Só queria poder agora olhar nos seus olhos e ver seu sorriso, escutar sua risada, ver você elaborando sobre algum tema, dissertando sobre algo bonito do mundo.
Esse texto é em vão, esse blog é quase em vão, tentativas ilusórias de trafegar num mar que nunca chega até você, nunca chega até o porto, as águas me consomem, me afogam, já não respiro, me sufoco.
Não importa a hora do dia, o que tenho ou não tenho que fazer, o mundo se tornou estranho, quase alheio, ele não sabe o que eu sinto, a confusão emocional que se passa dentro de mim, quero falar com você mas ao mesmo tempo não quero, não consigo, me sufoco, me afogo numa mistura de saudade, amor, cansaço de tanto esperar, desesperança, dormência, falta de fôlego.
Me faltam palavras.
Tudo bem, nem preciso delas.
Elas não me servem de nada
sexta-feira, 8 de novembro de 2019
Fate e faith
Um tema que tem voltado pra mim nos últimos dias é o tema da sorte, nós conversamos sobre isso na sexta, aliás depois quero ouvir o que você tem pra falar sobre o amor!
Ontem conversei disso com a sarinha, eu disse que voltar da festa, depois de presenciar toda aquela insensibilidade da lari e ir ao teu encontro - mesmo que whatsapiano - me fez sentir o cara mais sortudo do mundo, fui de um oposto ao outro. E o pior de tudo, eu disse, é que foi ela que terminou, não foi nem minha escolha, impressionante como tenho sorte, dá até arrepio pensar nisso.
Tudo na vida parece por um fio, essa é a sensação que tenho tido ultimamente.
A sarinha disse que devo agradecer a hashem. É verdade. Se tem uma coisa que eu sinto que pareço com o Yossef bíblico é nisso, ele tinha sorte onde quer que ele ia, deus estava sempre o acompanhando, na casa de potifar, na prisão, na ong, raquel, exército, deus sempre tá lá salvando. Tudo que eu faço, pode ser a coisa mais louca do mundo, eu acho que se eu to fazendo vai dar certo, porque tem alguém atrás querendo que eu tenha sucesso.
Por isso naquela noite de insônia onde eu me senti sozinho sem deus nem nada eu fiquei desesperado. A vida tem seu jeito poético de ser (deus?) e foi justo nessa semana que eu te conheci. Eu levo isso muito a sério, sinto que você foi a resposta àquele meu sentimento. Você apareceu e recebi um acolhimento que eu nunca tinha recebido antes, esse sentimento ainda é novo pra mim e eu não tenho certeza que sei como lidar 100%.
Mas tudo isso me dá arrepio, me sinto fora do controle, ainda sinto que é tudo por um fio. E se deus virar as costas?
Logo que cheguei peguei um uber e o cara começou a me contar como a vida é frágil. Ele morou em pernambuco 3 anos e duas vezes loucos abordaram ele no trânsito. Uma vez ele só gesticulou um xingamento para um cara que o fechou e o cara saiu do carro com arma e veio na janela do carro apontando a arma, indo tirar satisfação. O homem armado era policial aliás, ele tinha distintivo mas tava sem uniforme, o nosso querido motorista acha que saiu dessa vivo dessa por estar naquele momento com uma camiseta da escola militar lá do bairro. Tudo dependia do humor daquele cara armado, da camiseta que ele usou naquele dia, tudo tão terrivelmente frágil.
Contei pra ele uma história do meu pai que me chocou muito quando eu ouvi a primeira vez, que foi nesse ano aliás. Meu pai tinha 30 anos e estava de carro deixando o seu date na casa dela. Vieram dois bandidos armados, mandaram a menina ir pra casa e tiraram meu pai do carro. Um deles cismou que ia atirar no meu pai, ou como diria meu pai, encasquetou que queria me atirar, ele tava visivelmente drogado, o outro falou que você tá louco, deixa ele ir embora. Meu pai foi embora caminhando pelas entrelinhas da brutalidade do destino. Dessa vez que ele decidiu ir conhecer israel pela primeira vez. Mas isso é outro assunto.
Um dos filmes que eu mais gosto aborda esse tema. Eu amava esse filme mesmo antes de me tocar que ele abordava esse tema. Lá o vilão é um psicopata com vocação para filosofia e toda vítima que ele escolhe, ele pede para esse vítima jogar uma moeda e escolher cara ou coroa. Se a pessoa acertar, ela vive, se ela errar, acontece, é o destino. Vou te mandar um link de uma cena que é uma das minhas cenas preferidas de todo o cinema, uma época eu sabia ela até de cor.
https://www.youtube.com/watch?v=OLCL6OYbSTw
Às vezes eu me sinto como yaakov, que diante de tantos presentes de deus ele diz קטונתי, me apequenei com todos os teus presentes e agora acabaram-se os meus méritos. Mas a raquel protegia ele né, raquel querida.
Ontem conversei disso com a sarinha, eu disse que voltar da festa, depois de presenciar toda aquela insensibilidade da lari e ir ao teu encontro - mesmo que whatsapiano - me fez sentir o cara mais sortudo do mundo, fui de um oposto ao outro. E o pior de tudo, eu disse, é que foi ela que terminou, não foi nem minha escolha, impressionante como tenho sorte, dá até arrepio pensar nisso.
Tudo na vida parece por um fio, essa é a sensação que tenho tido ultimamente.
A sarinha disse que devo agradecer a hashem. É verdade. Se tem uma coisa que eu sinto que pareço com o Yossef bíblico é nisso, ele tinha sorte onde quer que ele ia, deus estava sempre o acompanhando, na casa de potifar, na prisão, na ong, raquel, exército, deus sempre tá lá salvando. Tudo que eu faço, pode ser a coisa mais louca do mundo, eu acho que se eu to fazendo vai dar certo, porque tem alguém atrás querendo que eu tenha sucesso.
Por isso naquela noite de insônia onde eu me senti sozinho sem deus nem nada eu fiquei desesperado. A vida tem seu jeito poético de ser (deus?) e foi justo nessa semana que eu te conheci. Eu levo isso muito a sério, sinto que você foi a resposta àquele meu sentimento. Você apareceu e recebi um acolhimento que eu nunca tinha recebido antes, esse sentimento ainda é novo pra mim e eu não tenho certeza que sei como lidar 100%.
Mas tudo isso me dá arrepio, me sinto fora do controle, ainda sinto que é tudo por um fio. E se deus virar as costas?
Logo que cheguei peguei um uber e o cara começou a me contar como a vida é frágil. Ele morou em pernambuco 3 anos e duas vezes loucos abordaram ele no trânsito. Uma vez ele só gesticulou um xingamento para um cara que o fechou e o cara saiu do carro com arma e veio na janela do carro apontando a arma, indo tirar satisfação. O homem armado era policial aliás, ele tinha distintivo mas tava sem uniforme, o nosso querido motorista acha que saiu dessa vivo dessa por estar naquele momento com uma camiseta da escola militar lá do bairro. Tudo dependia do humor daquele cara armado, da camiseta que ele usou naquele dia, tudo tão terrivelmente frágil.
Contei pra ele uma história do meu pai que me chocou muito quando eu ouvi a primeira vez, que foi nesse ano aliás. Meu pai tinha 30 anos e estava de carro deixando o seu date na casa dela. Vieram dois bandidos armados, mandaram a menina ir pra casa e tiraram meu pai do carro. Um deles cismou que ia atirar no meu pai, ou como diria meu pai, encasquetou que queria me atirar, ele tava visivelmente drogado, o outro falou que você tá louco, deixa ele ir embora. Meu pai foi embora caminhando pelas entrelinhas da brutalidade do destino. Dessa vez que ele decidiu ir conhecer israel pela primeira vez. Mas isso é outro assunto.
Um dos filmes que eu mais gosto aborda esse tema. Eu amava esse filme mesmo antes de me tocar que ele abordava esse tema. Lá o vilão é um psicopata com vocação para filosofia e toda vítima que ele escolhe, ele pede para esse vítima jogar uma moeda e escolher cara ou coroa. Se a pessoa acertar, ela vive, se ela errar, acontece, é o destino. Vou te mandar um link de uma cena que é uma das minhas cenas preferidas de todo o cinema, uma época eu sabia ela até de cor.
https://www.youtube.com/watch?v=OLCL6OYbSTw
Às vezes eu me sinto como yaakov, que diante de tantos presentes de deus ele diz קטונתי, me apequenei com todos os teus presentes e agora acabaram-se os meus méritos. Mas a raquel protegia ele né, raquel querida.
quinta-feira, 7 de novembro de 2019
quinta-feira, 24 de outubro de 2019
Quem sabe sou mais Álvaro de Campos?
[17:29; 21:09... infinito]
Nessa tarde cinza e densa, encontro um respiro na poesia com a qual me deparei na estante do corredor da casa da minha tia. Digo que encontro um respiro, não porque eu estivesse sufocada e precisando respirar, mas porque qualquer encontro com a poesia convida aquele que passa a respirar um ar fresco e novo de palavras que fluem como a água do rio.
Pois bem, me deleito nesse momento com esse maravilhoso e enorme volume de Álvaro de Campos. Por um instante me detenho.
Me detenho e penso que talvez, abrindo-o, estarei sendo entregue aos feitiços desse heterônimo, o que é perigoso pois ele pode de pronto me seduzir com seu lirismo angustiadamente irônico e me amarrar a ele. E talvez eu nunca mais consiga me desprender de suas garras friamente poéticas, e confesso que gosto que tais garras me agarrem com todo seu vigor poético e não me deixem escapar.
Me detenho porque meu coração é Alberto Caeiro.
Respiro Alberto Caeiro.
Tento viver na prática a filosofia de Alberto Caeiro, seu estilo de vida simples e direto, abstratamente concreto.
No passado, emprestei doses de Alberto Caeiro para servir como antídoto para muitas de minhas crises e divagações mentais aflitivas. Hoje, engulo de uma vez a dose inteira, me banho com fartura nas suas águas e bebo de sua fonte.
No futuro, quem sabe que dose tomarei, e em qual quantidade? Não cabe a mim pensar nisso agora. O amanhã não é certo, ele inexiste, assim como o sopro do segundo que acaba de se esvair e virar passado. O presente é uma centelha de vida, e ele dura o suficiente para percebermos que ele já se foi.
Pois bem, como eu dizia...
Me detenho porque meu coração é Alberto Caeiro.
Não posso nem ousar espiar pelas páginas de Álvaro de Campos, não sei o que me aguarda lá dentro, quem sabe serei sugada, devorada por seu modo irreverente e irônico de ser? Quem sabe seu ceticismo me seduza a ponto de eu não saber mais o que é crer em qualquer coisa? Eu que creio em tanto... Eu que creio mesmo sabendo que minha crença talvez não passa de uma ilusão e consolo, de uma tentativa infantil de imbuir de sentido o que não tem, de respingar com cor essa tela cinza de mundo...
O sol se pôs, as estrelas tentam brilhar por debaixo desse véu urbano poluído. Agora o relógio já marca 21:10.
E eu sigo aqui, nesse meu oásis virtual, única superfície de contato que tenho com você, Yossi, até domingo raiar...
Veja bem, ´´superfície´´, termo propositalmente empregado para traduzir a bidimensionalidade escrota de tal contato.
Como eu dizia...
Por um instante me detive.
Mas logo no instante seguinte, de súbito abri o livro e mergulhei nele como quem mergulha num mar densamente azul e cheio de corais dos mais variados tons e texturas...
Primeiro, como me é de costume, folheei algumas páginas com minhas mãos, que escorregavam cheias de prazer pelas linhas, sentindo a energia que emanava daquelas várias palavras.
Logo voltei a fechar o livro como quem fecha uma abertura escondida de um túnel secreto por guardar mil tesouros.
Fechei o livro para novamente olhar, dessa vez de forma mais atenta, sua capa, contracapa, absorver essa interface entre o livro e o mundo, afinal o mundo só chega a ver e tocar a capa e a contracapa. Poucos são os que tem a sorte ou a coragem de abrir um livro e se deixar levar pelo que ele propuser...
Segurei o livro junto do meu peito como quem segura um bebê risonho e misterioso, abracei-o como se ele tivesse vida e pudesse me abraçar de volta. E de fato vida tinha, pois me retornou o abraço.
Tornei a abrir o livro, dessa vez com mais fome e vontade, pronta pra me entregar.
E ao me entregar, ele me envolveu com suas linhas atrevidas, pessimistas, intimistas, futuristas, melancólicas, paradoxais...
Meu amor!
Sinto um pouco de você nessa poesia... Há muitos traços teus que rimam com a poesia do Álvaro de Campos. Isso é especial. Você acha especial?
Eu poderia escrever muito mais aqui, porque os sentimentos e pensamentos são vários, e que delícia é poder compartilhar com você. Mas vou te poupar de ler uma bíblia e vou me limitar por aqui, te deixando com um excerto de um dos poemas que mais me tocam e pelo qual o Álvaro de Campos é mais famoso (não que essa segunda informação importe).
Espero que você goste!
Depois me conte :)
TABACARIA
Nessa tarde cinza e densa, encontro um respiro na poesia com a qual me deparei na estante do corredor da casa da minha tia. Digo que encontro um respiro, não porque eu estivesse sufocada e precisando respirar, mas porque qualquer encontro com a poesia convida aquele que passa a respirar um ar fresco e novo de palavras que fluem como a água do rio.
Pois bem, me deleito nesse momento com esse maravilhoso e enorme volume de Álvaro de Campos. Por um instante me detenho.
Me detenho e penso que talvez, abrindo-o, estarei sendo entregue aos feitiços desse heterônimo, o que é perigoso pois ele pode de pronto me seduzir com seu lirismo angustiadamente irônico e me amarrar a ele. E talvez eu nunca mais consiga me desprender de suas garras friamente poéticas, e confesso que gosto que tais garras me agarrem com todo seu vigor poético e não me deixem escapar.
Me detenho porque meu coração é Alberto Caeiro.
Respiro Alberto Caeiro.
Tento viver na prática a filosofia de Alberto Caeiro, seu estilo de vida simples e direto, abstratamente concreto.
No passado, emprestei doses de Alberto Caeiro para servir como antídoto para muitas de minhas crises e divagações mentais aflitivas. Hoje, engulo de uma vez a dose inteira, me banho com fartura nas suas águas e bebo de sua fonte.
No futuro, quem sabe que dose tomarei, e em qual quantidade? Não cabe a mim pensar nisso agora. O amanhã não é certo, ele inexiste, assim como o sopro do segundo que acaba de se esvair e virar passado. O presente é uma centelha de vida, e ele dura o suficiente para percebermos que ele já se foi.
Pois bem, como eu dizia...
Me detenho porque meu coração é Alberto Caeiro.
Não posso nem ousar espiar pelas páginas de Álvaro de Campos, não sei o que me aguarda lá dentro, quem sabe serei sugada, devorada por seu modo irreverente e irônico de ser? Quem sabe seu ceticismo me seduza a ponto de eu não saber mais o que é crer em qualquer coisa? Eu que creio em tanto... Eu que creio mesmo sabendo que minha crença talvez não passa de uma ilusão e consolo, de uma tentativa infantil de imbuir de sentido o que não tem, de respingar com cor essa tela cinza de mundo...
O sol se pôs, as estrelas tentam brilhar por debaixo desse véu urbano poluído. Agora o relógio já marca 21:10.
E eu sigo aqui, nesse meu oásis virtual, única superfície de contato que tenho com você, Yossi, até domingo raiar...
Veja bem, ´´superfície´´, termo propositalmente empregado para traduzir a bidimensionalidade escrota de tal contato.
Como eu dizia...
Por um instante me detive.
Mas logo no instante seguinte, de súbito abri o livro e mergulhei nele como quem mergulha num mar densamente azul e cheio de corais dos mais variados tons e texturas...
Primeiro, como me é de costume, folheei algumas páginas com minhas mãos, que escorregavam cheias de prazer pelas linhas, sentindo a energia que emanava daquelas várias palavras.
Logo voltei a fechar o livro como quem fecha uma abertura escondida de um túnel secreto por guardar mil tesouros.
Fechei o livro para novamente olhar, dessa vez de forma mais atenta, sua capa, contracapa, absorver essa interface entre o livro e o mundo, afinal o mundo só chega a ver e tocar a capa e a contracapa. Poucos são os que tem a sorte ou a coragem de abrir um livro e se deixar levar pelo que ele propuser...
Segurei o livro junto do meu peito como quem segura um bebê risonho e misterioso, abracei-o como se ele tivesse vida e pudesse me abraçar de volta. E de fato vida tinha, pois me retornou o abraço.
Tornei a abrir o livro, dessa vez com mais fome e vontade, pronta pra me entregar.
E ao me entregar, ele me envolveu com suas linhas atrevidas, pessimistas, intimistas, futuristas, melancólicas, paradoxais...
Meu amor!
Sinto um pouco de você nessa poesia... Há muitos traços teus que rimam com a poesia do Álvaro de Campos. Isso é especial. Você acha especial?
Eu poderia escrever muito mais aqui, porque os sentimentos e pensamentos são vários, e que delícia é poder compartilhar com você. Mas vou te poupar de ler uma bíblia e vou me limitar por aqui, te deixando com um excerto de um dos poemas que mais me tocam e pelo qual o Álvaro de Campos é mais famoso (não que essa segunda informação importe).
Espero que você goste!
Depois me conte :)
TABACARIA
Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é
(E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a pôr humidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.
terça-feira, 22 de outubro de 2019
Sedaduas
[O que é o tempo?]
Oi!
Oi meu amor!
Faz tempo que não escrevo por aqui, e agora sinto saudades tanto de você quanto daqui. Mas a daqui é fácil de matar, é só abrir o computador e escrever ou ler algo nessa coisa querida que criamos e que suspeito que nem exista no mundo real. Já a saudade de você, tenho que pegar um avião pra matar. Enquanto não o faço, ela própria é quem me mata lenta e tortuosamente, e simultaneamente quem me faz reviver magicamente em universos paralelos e variados.
De fato sinto saudades de você.
Sinto.
Sinto com todo meu corpo, com todo o meu pensamento, e até mesmo com toda a minha alma.
Sinto no peito, nas mãos, nos lábios, na pulsação.
Sinto nas noites em que não tenho quem abraçar,
nas manhãs que desperto para o lado e me deparo com o nada.
É interessante experienciar quantas dimensões e tons diferentes a minha saudade pode adquirir. Nunca me entendio, porque a saudade que sinto de você sempre se reveste de nova cor e vem bater à minha porta vestida de novo traje, diferente do que era ontem, diferente do que fora a um minuto atrás. E assim ela me mantém entretida, até que você, na sua tridimensionalidade, possa me entreter como eu venho sonhando todas as noites.
A saudade...
Às vezes ela vem de fininho quando eu menos percebo, e quando vou ver, já se instalou dentro de mim e se apossou do meu ser, sem pedir permissão para me adentrar.
Às vezes ela chega invadindo, sem nem tentar se disfarçar, e me carrega pra dentro dela até eu não poder mais chorar.
A saudade...
Me prende, me sufoca.
Me liberta, me alivia o peso da solidão.
Me faz companhia, é minha melhor amiga,
Me faz me sentir sozinha nessa imensidão.
A saudade...
Às vezes safada, me inflama pra dentro dos seus beijos longos e demorados, roçando nossos corpos molhados e quentes.
Às vezes carinhosa, me carrega pra dentro do seu abraço apertado, onde sinto ter encontrado terra seca depois de um navegar sofrido.
Às vezes cruel, me obriga a chorar lágrimas azuis de tristeza, me afogando num infinito mar azul.
Às vezes companheira, passeia comigo por onde eu vou, escreve versos comigo, lê livros comigo, assiste os filmes que assisto, pensa, sorri, come, tudo comigo, e no cair da noite, se enrola em volta de mim até adormecermos juntas e nos entregarmos para mais uma noite fria.
A saudade...
Me consome, como fogo que arde sem se ver.
Me engole, me mastiga, me cospe.
Me traz leveza, me inunda numa nuvem branca de paz densamente leve.
Me permite ser, estar e sonhar.
A saudade...
Me leva pra mundos distantes, ilhas imaginárias de amor, braços abertos a me encontrar.
Me lança pra dentro de si mesma, me gira como num redemoinho, do qual não sei escapar.
Me carrega no colo, me faz confessar, que não tem mais jeito de dissimular.
Me taca num beco escuro e vazio, longe de qualquer possível luar.
A saudade desperta comigo com todo nascer solar,
E dorme embalada no meu corpo com todo nascer lunar.
Em todos os meus versos, em todos os meus passos,
Em todos os meus humores, em todos os meus retratos,
Ela encontra uma maneira de se infiltrar, e ficar.
E ficar...
______________________________________________________________
Como minhas palavras hoje não conseguem expressar a magnitude daquilo que sinto, te deixo com algumas poesias de pessoas que traduzem em linguagem clara a turbulência ilegível do meu coração.
Principalmente esse da Clarice Lispector descreve muito o que eu sinto e me dá muito alívio o fato de ela ter conseguido transcrever esses sentimentos intensos em palavras precisas.
Sentimento urgente – Clarice Lispector
Saudade é um pouco como fome
Só passa quando se come a presença
Mas, às vezes, a saudade é tão profunda que a presença é pouco
Quer-se absorver a outra pessoa toda
Essa vontade de um ser o outro para uma unificação inteira
É um dos sentimentos mais urgentes que se tem na vida.
Oi!
Oi meu amor!
Faz tempo que não escrevo por aqui, e agora sinto saudades tanto de você quanto daqui. Mas a daqui é fácil de matar, é só abrir o computador e escrever ou ler algo nessa coisa querida que criamos e que suspeito que nem exista no mundo real. Já a saudade de você, tenho que pegar um avião pra matar. Enquanto não o faço, ela própria é quem me mata lenta e tortuosamente, e simultaneamente quem me faz reviver magicamente em universos paralelos e variados.
De fato sinto saudades de você.
Sinto.
Sinto com todo meu corpo, com todo o meu pensamento, e até mesmo com toda a minha alma.
Sinto no peito, nas mãos, nos lábios, na pulsação.
Sinto nas noites em que não tenho quem abraçar,
nas manhãs que desperto para o lado e me deparo com o nada.
É interessante experienciar quantas dimensões e tons diferentes a minha saudade pode adquirir. Nunca me entendio, porque a saudade que sinto de você sempre se reveste de nova cor e vem bater à minha porta vestida de novo traje, diferente do que era ontem, diferente do que fora a um minuto atrás. E assim ela me mantém entretida, até que você, na sua tridimensionalidade, possa me entreter como eu venho sonhando todas as noites.
A saudade...
Às vezes ela vem de fininho quando eu menos percebo, e quando vou ver, já se instalou dentro de mim e se apossou do meu ser, sem pedir permissão para me adentrar.
Às vezes ela chega invadindo, sem nem tentar se disfarçar, e me carrega pra dentro dela até eu não poder mais chorar.
A saudade...
Me prende, me sufoca.
Me liberta, me alivia o peso da solidão.
Me faz companhia, é minha melhor amiga,
Me faz me sentir sozinha nessa imensidão.
A saudade...
Às vezes safada, me inflama pra dentro dos seus beijos longos e demorados, roçando nossos corpos molhados e quentes.
Às vezes carinhosa, me carrega pra dentro do seu abraço apertado, onde sinto ter encontrado terra seca depois de um navegar sofrido.
Às vezes cruel, me obriga a chorar lágrimas azuis de tristeza, me afogando num infinito mar azul.
Às vezes companheira, passeia comigo por onde eu vou, escreve versos comigo, lê livros comigo, assiste os filmes que assisto, pensa, sorri, come, tudo comigo, e no cair da noite, se enrola em volta de mim até adormecermos juntas e nos entregarmos para mais uma noite fria.
A saudade...
Me consome, como fogo que arde sem se ver.
Me engole, me mastiga, me cospe.
Me traz leveza, me inunda numa nuvem branca de paz densamente leve.
Me permite ser, estar e sonhar.
A saudade...
Me leva pra mundos distantes, ilhas imaginárias de amor, braços abertos a me encontrar.
Me lança pra dentro de si mesma, me gira como num redemoinho, do qual não sei escapar.
Me carrega no colo, me faz confessar, que não tem mais jeito de dissimular.
Me taca num beco escuro e vazio, longe de qualquer possível luar.
A saudade desperta comigo com todo nascer solar,
E dorme embalada no meu corpo com todo nascer lunar.
Em todos os meus versos, em todos os meus passos,
Em todos os meus humores, em todos os meus retratos,
Ela encontra uma maneira de se infiltrar, e ficar.
E ficar...
______________________________________________________________
Como minhas palavras hoje não conseguem expressar a magnitude daquilo que sinto, te deixo com algumas poesias de pessoas que traduzem em linguagem clara a turbulência ilegível do meu coração.
Principalmente esse da Clarice Lispector descreve muito o que eu sinto e me dá muito alívio o fato de ela ter conseguido transcrever esses sentimentos intensos em palavras precisas.
Sentimento urgente – Clarice Lispector
Saudade é um pouco como fome
Só passa quando se come a presença
Mas, às vezes, a saudade é tão profunda que a presença é pouco
Quer-se absorver a outra pessoa toda
Essa vontade de um ser o outro para uma unificação inteira
É um dos sentimentos mais urgentes que se tem na vida.
Chega de saudade – Vinicius de Moraes
Vai minha tristeza
E diz a ele que sem ele não pode ser.
Diz-lhe numa prece
Que ele regresse
Porque não posso mais sofrer.
Chega de saudade
A realidade é que sem ele
Não há paz.
Não há beleza,
É só tristeza e a melancolia
Que não sai de mim.
Não sai de mim,
Não sai.
Mas, se ele voltar
Se ele voltar, que coisa linda!
Que coisa louca!
Pois há menos peixinhos a nadar no mar
Do que os beijinhos
Que eu darei na sua boca.
Dentro dos meus braços, os abraços
Hão de ser milhões de abraços.
Apertado assim, colado assim, calada assim,
Abraços e beijinhos e carinhos sem ter fim
Que é pra acabar com esse negócio
De viver longe de mim.
Não quero mais esse negócio
De você viver assim.
Vamos deixar esse negócio
De você viver sem mim…
(nessa música modifiquei de ´ela´ pra ´ele´ porque você é meu leitor)
Vai minha tristeza
E diz a ele que sem ele não pode ser.
Diz-lhe numa prece
Que ele regresse
Porque não posso mais sofrer.
Chega de saudade
A realidade é que sem ele
Não há paz.
Não há beleza,
É só tristeza e a melancolia
Que não sai de mim.
Não sai de mim,
Não sai.
Mas, se ele voltar
Se ele voltar, que coisa linda!
Que coisa louca!
Pois há menos peixinhos a nadar no mar
Do que os beijinhos
Que eu darei na sua boca.
Dentro dos meus braços, os abraços
Hão de ser milhões de abraços.
Apertado assim, colado assim, calada assim,
Abraços e beijinhos e carinhos sem ter fim
Que é pra acabar com esse negócio
De viver longe de mim.
Não quero mais esse negócio
De você viver assim.
Vamos deixar esse negócio
De você viver sem mim…
(nessa música modifiquei de ´ela´ pra ´ele´ porque você é meu leitor)
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